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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A caverna de Adulão

“Você jamais saberá que Jesus é tudo o que você precisa até Jesus ser tudo o que você tem.”



“Compadece-te de mim, ó Deus, compadece-te de mim, pois em ti se refugia a minha alma; à sombra das tuas asas me refugiarei, até que passem as calamidades.”- Salmo 57.1
 
Como disse certa vez Max Lucado: “O deserto começa com separações. Continua com engano.” Assim é o deserto. A palavra deserto provém do latim desertus, particípio passado de deserĕre, cujo significado é "abandonar". E essa é a sensação de quem encara os “desertos” desta vida: abandono.
Melissa, sempre foi uma das mulheres mais atuantes na sua igreja. Líder do louvor, com voz e participação ativa no grupo de jovens, conselheira de novos convertidos. Tudo parecia ir bem: família, igreja, emprego... E agora esta terrível notícia: Câncer.
Paulo sempre foi um esportista notável. Desde muito cedo, tinha bastante energia, sempre correndo e pulando dentro de casa. Aos 12, já tinha várias medalhas e troféus conquistados em competições escolares. Aos 16, era considerado a nova revelação da natação. Aos 18, já era campeão nacional de triatlo. E hoje, com recém-completados 20 anos, a notícia que a família mais temia, desde o acidente: Paulo ficaria com sequelas. A lesão na coluna e o triste veredicto: Paralisia.
Davi, outrora pastor de ovelhas, matador de gigantes, genro do rei... agora era perseguido por um posseso Saul. O que fazer? Para onde ir? Se esconder entre as ovelhas? Óbvio demais. Procurar Samuel? Não. Davi foge então para Nobe, a cidade dos sacerdotes. Lá, mente para Aimeleque, come pão consagrado. Depois foge para Gate, terra dos filisteus. Lá para não ser morto, finge-se de louco. É expulso. Atirado no deserto. Sem auxílio, sem ninguém, Davi vai para a caverna de Adulão.
Quem sabe você tenha uma história parecida com Paulo, Melissa ou Davi. Estava em um lugar onde era querido, amado, e agora tudo isso acabou. De protegido passastes a ser perseguido. O que fazer? Onde buscar ajuda? Na igreja? O que me espera lá? Dedos apontados ou uma mão amiga? Compreensão e apoio ou Incompreensão e condenação? O que fazer? Ir para os braços de um qualquer ou para um bar e flertar com seus fantasmas entre um gole e outro? Viver em ruas sujas, sem teto, esperando um tintilar de um moeda em um copo sujo? Se atirar do edifício ou da ponte mais alta, indo de encontro da morte?
Enquanto seus pensamentos divagam, seus pés te encaminham cada vez mais para dentro do deserto. Sente o calor do dia, o frio da noite. Chegastes agora em sua caverna de Adulão. As noites são cada vez mais longas, o chão cada vez mais frio, e seus olhos começam a se acostumar com a escuridão do ambiente. De vez em quando, você reúne forças, olha para fora, mas tudo o que consegue enxergar é a imensidão árida de seu deserto. E mais uma vez a pergunta: o que fazer?
Esta é uma boa hora para lembrar-se de Davi. Um perito em fugas, mas também um virtuoso na arte de tocar. E de compor. “Compadece-te de mim, ó Deus, compadece-te de mim, pois em ti se refugia a minha alma; à sombra das tuas asas me refugiarei, até que passem as calamidades. Clamarei ao Deus altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa. Ele do céu enviará seu auxílio, e me salvará, quando me ultrajar aquele que quer calçar-me aos pés. Deus enviará a sua misericórdia e a sua verdade”. Durante os últimos meses, aquele que é segundo o coração de Deus, não teve seus olhos voltados para Ele. E se perdeu. Perdeu-se em meio a mentiras, enganos, frustrações, decepções. Padeceu, sofreu, foi humilhado, abandonado. Agora ali, na caverna de Adulão em meio a tantos sofrimentos e tendo por companhia leões, ele consegue sentir um toque, como brisa suave, naquela noite fria, aquecer seu coração. Novamente, seus olhos voltam para aquele a quem ele cantava à noite, chamando o de pastor.
Você se olha no espelho e a imagem que vê é desanimadora. Parece que os últimos meses, tornarem-se anos na sua vida. Você já não tem forças. O ânimo já se extinguiu há tempos. Seu cheiro é o da caverna de Adulão. Max Lucado escreveu o seguinte: “Você jamais saberá que Jesus é tudo o que você precisa até Jesus ser tudo o que você tem.”
Na caverna de Adulão moram todos os que estão em dificuldades, os endividados, os descontentes. A fraqueza. A loucura. Lembre-se porém destas palavras: “Irmãos, pensem no que vocês eram quando foram chamados. Poucos eram sábios segundo os padrões humanos; poucos eram poderosos; poucos eram de nobre nascimento. Mas Deus escolheu o que para o mundo é loucura para envergonhar os sábios, e escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte” (1 Coríntios 1:26,27). São os moradores de Adulão que Deus quer. São estes que foram afligidos, padecem grandes sofrimentos, mas que chegaram até Adulão. Em Adulão não há status, pois todos têm consciência que são devedores. Em Adulão não há hierarquias, pois ninguém é maior do que o próximo. Os moradores de Adulão aprendem dia-a-dia o significado real do que é graça. Adulão é sinônimo de convivência, comunhão, troca. Em Adulão ouve-se a voz de Deus.
Estás cansado, ferido, abatido? Em meio a este deserto, Deus te conduz para a caverna de Adulão. Tenha seus olhos voltados para aquele que é o socorro bem presente nas tribulações. Tenha seu coração voltado e determinado em adorar a Deus. Não estou te propondo algo que será fácil, mas não desista. Enfrente este deserto. Vá até Adulão. Refugie-se em Deus.

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